Monthly Archives: março 2021

Nota de repúdio ao ataque contra o povo Munduruku

Neste dia 25 de março de 2021, a sede da Associação das Mulheres Munduruku Wakoborûn, que abriga também outros movimentos do povo, foi atacada e depredada, na cidade de Jacareacanga, no sudoeste do estado do Pará. Esta ação violenta contra a Associação das Mulheres é, na verdade, uma ação contra a resistência do povo Munduruku, que luta desde 2018 pela retirada de garimpeiros invasores do seu território.

A luta do povo Munduruku contra os invasores do seu território já foi alvo de denúncia no âmbito nacional e internacional, devido principalmente às ameaças à vida e à integridade física dos indígenas e aos seus direitos constitucionais, bem como ao usufruto exclusivo no seu território tradicional e devidamente regularizado.

Em 2020, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação contra o governo federal, devido à sua inação em estabelecer medidas de proteção ao território Munduruku, que vivia sob constantes conflitos com os invasores. Dois meses depois da entrada da ação pelo MPF, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, visitou o local, se reuniu com os garimpeiros e paralisou as ações do Ibama de retenção de maquinários usado no garimpo. Esta postura do governo em favor dos garimpeiros foi decisiva para o aumento do conflito, com o consequente ato criminoso contra a Associação das Mulheres Munduruku ocorrido neste dia em Jacareacanga.

Na última segunda-feira, 20 de março, o MPF já havia alertado para o agravamento das tensões na região, com a presença de pessoas armadas no interior da Terra Indígena (TI) Munduruku e, inclusive, um helicóptero, filmado pelos indígenas e suspeito de dar cobertura aos invasores. Dois dias depois, o órgão abriu apuração de improbidade administrativa pelo descaso e omissão de autoridades contra a invasão garimpeira no território Munduruku.

Portanto, denunciamos que o recente ataque tem relação direta com a invasão do território do povo Munduruku, fato que também ocorre em outros territórios indígenas em várias regiões do Brasil, principalmente no atual governo, que tem externado incentivo a este tipo de invasão, causando o aumento da violência contra os povos originários.

Além de manifestar nosso repúdio ao ataque e nossa solidariedade ao povo Munduruku, vimos exigir que as autoridades tomem providências urgentes para a proteção da integridade física, dos direitos constitucionais e da vida do povo Munduruku. Estas providências cabem ao governo federal em articulação com o governo do estado, com foco especial e urgente na retirada dos invasores e proteção do território, para evitar o agravamento ainda maior do conflito e garantir a segurança dos indígenas.

25 de março de 2021

Comissão Pastoral da Terra – CPT
Conselho Indigenista Missionário – Cimi
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH

Delicadeza contra o fascismo: Rita Benneditto e Zeca Baleiro emprestam vozes à composição de Joãozinho Ribeiro

Single “Com o afeto das canções” chega às plataformas digitais de música sexta-feira (19)

Com o afeto das canções. Single. Capa. Reprodução

Um dos compositores maranhenses mais gravados, Joãozinho Ribeiro tem uma obra caracterizada pelo vínculo entre a arte e a militância em prol de justiça e igualdade social – além de cantor, compositor e poeta, foi gestor público na área cultural nas três esferas de governo e é sócio fundador da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH).

Artista em tempo integral após a aposentadoria do serviço público federal, durante a quarentena imposta pela pandemia de covid-19, confirmou ser, além de uma usina criativa, compondo em todos os gêneros, um agregador, reencontrando parceiros antigos e iniciando produções com outros.

Não bastasse a pandemia, que mergulhou o país na maior crise sanitária de sua história, transformando o Brasil numa vergonha internacional, Joãozinho Ribeiro reafirma também sua postura contra o autoritarismo: se reagiu com arte à ditadura militar instalada no Brasil a partir de 1964, luta com as armas que tem contra o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro.

Diante do atual estado de coisas, acreditando nas flores vencendo os canhões, como dizia o antigo compositor paraibano, Joãozinho Ribeiro compôs “Com o afeto das canções”, reggae que já nasce com o carimbo de obra-prima, por um conjunto que alia a qualidade da letra, melodia e de seus intérpretes, ninguém menos que Rita Benneditto e Zeca Baleiro em dueto.

“Deixar que o mundo se dane?/ – Não!/ Que o amor/ não nos abandone, em vão!/ Essas pedras no caminho/ não me impedem o passo/ todo corpo tem seu prumo,/ seu próprio compasso/ se a história traça o rumo/ da humanidade/ com responsa, meu destino/ eu mesmo é que faço/ Toda aranha tem na teia/ ciência e capricho/ Toda abelha no seu mel/ doçura de bicho/ Se no afeto das canções/ eu me embaraço/ presa fácil das paixões/ eu viro em teus braços”, dispara a letra do reggae, gravado de diferentes pontos do país, em respeito aos protocolos de segurança sanitária, com a adesão de Zé Américo Bastos (arranjo, piano, percussão e órgão), Israel Dantas (guitarra e violão) e Moisés Mota (bateria).

O single chega às plataformas digitais de streaming nesta sexta-feira, 19 de março. Faça aqui a pré save.

SMDH seleciona Apoio Administrativo para escritório em Brasília/DF

A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) está recebendo currículos para seleção para o cargo de Apoio Administrativo, com lotação no escritório da entidade em Brasília/DF. Para um regime de trabalho de 40 horas semanais, a remuneração é de R$ 3.042,72, mais auxílios saúde e alimentação. Os currículos serão recebidos por e-mail até o dia 17 de março, ao meio-dia. Leia o edital completo.

04mar/21

Nota de pesar e solidariedade: Justo Evangelista Conceição

Justo Evangelista Conceição, o “doutor popular Justus”. Foto: reprodução

Faleceu ontem (2), às 16h, o senhor Justo Evangelista Conceição, ex-vereador e ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Município de Itapecuru-Mirim.

O “doutor popular Justus” como era conhecido era “um grande defensor da reforma agrária no município de Itapecuru-Mirim”, como lembraram diversos militantes de direitos humanos membros da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH). Eles lembraram também a perseguição sofrida quando estavam na Comissão Pastoral da Terra (CPT), tendo a voz destemida de seu Justo sido uma das poucas que saiu a nosso favor.

Em homenagem à sua memória, o presidente da Câmara Municipal de Itapecuru-Mirim, Cleomar Rodrigues dos Santos Lopes, suspendeu a sessão legislativa que aconteceria ontem.

Além da CPT, entre os anos de 1970 e 1990, seu Justo integrou também movimentos como as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), a Animação dos Cristãos no Meio Rural (ACR).

A SMDH lamenta a perda e manifesta pesar e solidariedade a familiares, amigos/as e companheiros/as de luta.

São Luís/MA, 3 de março de 2021

Coordenação
SMDH