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SMDH seleciona Apoio Administrativo para escritório em Brasília/DF

A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) está recebendo currículos para seleção para o cargo de Apoio Administrativo, com lotação no escritório da entidade em Brasília/DF. Para um regime de trabalho de 40 horas semanais, a remuneração é de R$ 3.042,72, mais auxílios saúde e alimentação. Os currículos serão recebidos por e-mail até o dia 17 de março, ao meio-dia. Leia o edital completo.

04mar/21

Nota de pesar e solidariedade: Justo Evangelista Conceição

Justo Evangelista Conceição, o “doutor popular Justus”. Foto: reprodução

Faleceu ontem (2), às 16h, o senhor Justo Evangelista Conceição, ex-vereador e ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Município de Itapecuru-Mirim.

O “doutor popular Justus” como era conhecido era “um grande defensor da reforma agrária no município de Itapecuru-Mirim”, como lembraram diversos militantes de direitos humanos membros da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH). Eles lembraram também a perseguição sofrida quando estavam na Comissão Pastoral da Terra (CPT), tendo a voz destemida de seu Justo sido uma das poucas que saiu a nosso favor.

Em homenagem à sua memória, o presidente da Câmara Municipal de Itapecuru-Mirim, Cleomar Rodrigues dos Santos Lopes, suspendeu a sessão legislativa que aconteceria ontem.

Além da CPT, entre os anos de 1970 e 1990, seu Justo integrou também movimentos como as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), a Animação dos Cristãos no Meio Rural (ACR).

A SMDH lamenta a perda e manifesta pesar e solidariedade a familiares, amigos/as e companheiros/as de luta.

São Luís/MA, 3 de março de 2021

Coordenação
SMDH

Processo seletivo SMDH

A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) está com processo seletivo aberto para
contratação de um/a Técnico/a Social para integrar a Equipe do Programa de
Proteção a Defensores dos Direitos Humanos no Maranhão (PPDDHMA), programa integrante do Sistema
Nacional de Proteção a Pessoas, convênio entre o Governo Federal e Governo do Estado do
Maranhão, que visa proporcionar proteção e assistência à pessoa física e jurídica, grupo,
instituição, organização ou movimento social que promova, proteja e defenda os Direitos
Humanos e, que em função de sua atuação e atividades nessas circunstâncias encontra-se
em situação de risco e/ou em vulnerabilidade.

Clique aqui para acessar o edital.

Obituário: Oscar Gatica

Oscar Gatica, sinônimo de luta em defesa dos direitos humanos. Foto: Acervo SMDH

Faleceu sexta-feira (29), aos 71 anos, Oscar Gatica, argentino tornado brasileiro por força de circunstâncias adversas, nome fundamental para a luta na defesa intransigente dos direitos humanos no Brasil, de que, afinal, tornou-se sinônimo.

“Era uma pessoa convicta na luta de direitos humanos, mas também na alegria de juntar as pessoas em torno de um churrasco. Ele que transformou um medo em luta e teimosia, da Argentina ao Brasil optou por ser paraibano do Brejo”, declarou Rosiana Queiroz, militante de direitos humanos que privou de sua amizade.

O medo transformado em luta e teimosia a que ela se refere foi a recuperação de seus filhos com Ana Caracoche já adultos, sequestrados e entregues para adoção quando ainda crianças pela ditadura militar argentina, em cujo enfrentamento Gatica integrou o Grupo Guerrilheiro Montoneros.

Parte de sua biografia foi contada por Samarone Lima no livro “Clamor – A vitória de uma conspiração brasileira” (Objetiva, 2003). Foi um dos fundadores e dirigente do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e por longos anos atuou no Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra (CDDH Serra), no Espírito Santo, de onde teve que se mudar, com destino à Paraíba – onde seguiu atuando, desta feita na hoje extinta Sociedade de Assessoria aos Movimentos Popular e Sindical (Samops) –, por conta de ameaças de morte sofridas quando do enfrentamento, desbaratamento e quebra da impunidade do grupo de extermínio “Scuderie Detetive Le Cocq”.

Entre outros inúmeros feitos, Gatica também contribuiu com a formulação e criação do Programa Nacional de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita) e coordenou a Campanha Nacional Permanente contra a Tortura.

Oscar Gatica deixa um legado fundamental para a prática cotidiana de militantes de direitos humanos no Brasil. A máxima de Che Guevara parece lhe/nos orientar: endurecer, sem perder a ternura jamais.

Descanse em paz, Gatica! Obrigado por tudo!

Quem Matou Fernando?

REPRODUÇÃO/CPT

O trabalhador rural, sem-terra, Fernando dos Santos Araújo, 39 anos, foi executado a tiros na noite de terça-feira (26), no Pará. Ele era sobrevivente do Massacre de Pau D’Arco, ocorrido em 24 de maio de 2017, em que  dez camponeses foram mortos durante operação policial.

Fernando, que também era militante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e homem gay, era testemunha chave no processo criminal que investiga a participação de policiais civis e militares na maior chacina contra trabalhadores e trabalhadoras rurais desde Eldorado dos Carajás.

Em nota, a CPT informou que o trabalhador vivia sob forte ameaça e pressão e por isso, entrou para o Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas, tendo saído da região por algum tempo. Fernando, contudo, optou por retornar ao seu território, na esperança de conseguir um lote de reforma agrária com a criação do assentamento para as dezenas de famílias do Acampamento Jane Júlia.

“Fernando morreu. O tiro que o vitimou, fez também outras vítimas. Atingiram a todos nós que lutamos pelo direito à terra no Pará, Amazônia e no país. Sua morte nos obriga a perguntar: Quem matou Fernando? Quem mandou matar Fernando?”, diz trecho da nota.

A CPT informou ainda que a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos e várias entidades assinaram uma carta ao Secretário de Segurança Pública do estado para que haja uma investigação rigorosa do crime.

“Solicitaram também, que o Ministério Público Federal seja acionado para acompanhar as investigações. Essa mesma petição foi enviada à Anistia Internacional, que já se posicionou publicamente sobre o caso”, afirma.

Massacre de Pau D’Arco ainda está sendo investigado

O massacre ocorreu no dia 24 de maio de 2017 na fazenda Santa Lúcia, no município paraense de Pau D’Arco. Naquele dia, policiais, com suposto apoio de seguranças privados da fazenda foram cumprir mandados de prisão em um inquérito, mas chegaram ao local e mataram dez trabalhadores rurais.

Investigações apontaram que não houve reação dos camponeses, como alegaram os policiais, e que muitas das mortes ocorreram com tiros à queima-roupa e caracterizaram execução. 17 policiais foram denunciados e são acusados de assassinatos, mas ainda aguardam julgamento.

Confira nota na íntegra


NOTA PÚBLICA – Quem Matou Fernando?

Fernando dos Santos Araújo, 39 anos, trabalhador rural, sem-terra, sobrevivente do Massacre de Pau D’Arco, homem gay e militante camponês, foi executado com um tiro na noite do dia 26 de janeiro de 2021. Fernando era testemunha chave no processo criminal que investiga a participação de policiais civis e militares na maior chacina contra trabalhadores rurais desde Eldorado dos Carajás.

Em maio de 2017, no interior da Fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, sul do Pará, uma operação das polícias civil e militar paraenses resultou no assassinato de dez trabalhadores rurais. Eram nove homens e uma mulher, Jane Júlia, liderança e, hoje, mártir do movimento. Tendo visto o próprio namorado ser executado pelos policiais durante a chacina, Fernando conseguiu fugir, sobrevivendo ao cerco policial.

Quase quatro anos depois, os 16 policiais denunciados pela participação no massacre estão em liberdade, e o inquérito que investiga os mandantes do crime não resultou em nenhum indiciamento. Enquanto isso, o advogado dos sobreviventes, José Vargas, foi preso e continua em prisão domiciliar, sob a acusação de participação em um crime que de acordo com sua defesa, ele não teve qualquer participação. Nos causa preocupação adicional o fato de Fernando ter sido assassinado apenas um dia depois da liberação de Vargas da cadeia.

Vargas tem atuação destacada na defesa dos direitos de trabalhadores e trabalhadoras rurais na luta pela terra no sul do Pará, tornando-se amplamente conhecido, devido sua corajosa atuação em defesa das vítimas do massacre de Pau D’Arco. Recebeu ameaças, ausentou-se da região por um período e foi inserido no Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos. A prisão de Vargas acirra a vulnerabilidade a que as famílias da ocupação Jane Júlia estão expostas – sobretudo, dos sobreviventes da chacina.

Fernando morava em um lote na ocupação da Fazenda Santa Lúcia. No episódio do massacre, todos sobreviventes tiveram que sair da área. Contudo, ainda em 2017, a fazenda foi novamente ocupada por dezenas de famílias, que criaram o Acampamento Jane Júlia.

Um dos primeiros a integrar o grupo da ocupação, Fernando resistiu junto a companheiros e companheiras, no decurso de sucessivas tentativas de despejos que aconteceram na área, a mando de fazendeiros. A comunidade reivindica a implementação de um assentamento de reforma agrária no local.

Os depoimentos de Fernando e de outros sobreviventes foram, desde o início, fundamentais para elucidação do caso, antecipando o que os laudos de perícia técnica viriam a confirmar sobre a chacina. Tendo sobrevivido, foi, a um só tempo, vítima e testemunha ocular de um crime abominável, cuja repercussão nacional e internacional é mais uma ferida exposta de nosso país.

Sob forte ameaça e pressão, Fernando entrou para o Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas, tendo saído da região por um tempo. Optou, contudo, por retornar a seu território, na esperança de conseguir um lote de reforma agrária com a criação do assentamento para as dezenas de famílias do Acampamento Jane Júlia.

Os policiais denunciados como executores do massacre obtiveram do Judiciário decisão favorável para aguardar o júri em liberdade. Não há previsão de quando serão julgados. Na sequência, foram reincorporados às suas funções e continuam na ativa. Esses fatos criaram um ambiente de intimidação aos sobreviventes e às famílias das vítimas. Por outro lado, o inquérito sobre os mandantes do crime não foi concluído, deixando muitas perguntas sem respostas. A principal delas é: quem foram os mandantes do Massacre de Pau D’Arco?

Enquanto ocorre a prisão do advogado e o homicídio do sobrevivente (e principal testemunha!) do massacre, as famílias seguem ameaçadas de despejo pela Vara Agrária de Redenção, mesmo em plena pandemia (!).

Embora haja indícios de que a Fazenda Santa Lúcia se encontre em terras públicas, o processo fundiário de investigação da cadeia dominial do imóvel, que deveria avançar rápido diante da gravidade do conflito, ficou paralisado. A oferta do Incra para compra do imóvel e criação do assentamento foi suspensa no início de 2019, por decisão do governo Bolsonaro que proibiu o INCRA de adquirir novos imóveis para criação de assentamentos de Reforma Agrária. Muito embora esta terra já esteja paga, como pontuou Fernando durante uma audiência judicial, em 2020, a respeito das vítimas da Fazenda Santa Lúcia: “a gente já pagou por essa terra. Com nosso sangue!”.

Fernando morreu. O tiro que o vitimou, fez também outras vítimas. Atingiram a todos nós que lutamos pelo direito à terra no Pará, Amazônia e no país. Sua morte nos obriga a perguntar: Quem matou Fernando? Quem mandou matar Fernando?

A Comissão Pastoral da Terra e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, entidades que assinam essa carta, já peticionaram ao Secretário de Segurança Pública requerendo uma investigação rigorosa desse crime. Solicitaram também, que o Ministério Público Federal seja acionado para acompanhar as investigações. Essa mesma petição foi enviada à Anistia Internacional, que já se posicionou publicamente sobre o caso1.

As entidades que assinam essa nota, exigem do Governo do Estado, a designação de uma equipe especial de investigação para que o crime seja rapidamente esclarecido, o executor identificado e preso, assim como, os possíveis mandantes desse crime bárbaro. O Estado brasileiro, notadamente o estado do Pará, tem a obrigação de sanar sua dívida histórica com os trabalhadores rurais, vítimas de violência diária e recorrente.

Guardaremos na memória a coragem de Fernando, aquele que testemunhava em favor da justiça, por sonhando e lutando por uma terra a conquistar. O recordaremos por sua solidariedade com as famílias companheiras da ocupação; pelo amigo estimado para tantas pessoas, que conservava a alegria, apesar de tantas adversidades. Sua voz – doce, firme, assertiva, única – é inesquecível para quem a ouviu, e não será calada, nem será esquecida.

Pois o justo jamais será abalado; para sempre se lembrarão dele.

Não temerá más notícias; seu coração está firme, confiante no Senhor.

O seu coração está seguro e nada temerá.

No final, verá a derrota dos seus adversários2

Punição para todos os responsáveis pela morte de Fernando!

Justiça para Pau D’Arco!

28 de janeiro de 2021.

Comissão Pastoral da Terra – Regional Pará
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH
Rede Nacional das Advogadas e Advogados Populares – RENAP
Federação de Estudante de Agronomia do Brasil – FEAB
Terra de Direitos – TDD
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento Sem Terra – MST
Movimento Camponês Popular – MCP
Movimento Urbano Popular – MUP
Grupo de Mulheres Brasileiras – GMB
Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos – SMDH
Comissão de Direitos Humanos da OAB/Pará
Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD – núcleo Pará
Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM

Fontes: https://www.cptnacional.org.br/publicacoes-2/destaque/5504-nota-publica-quem-matou-fernando https://www.cut.org.br/noticias/trabalhador-sobrevivente-do-massacre-de-pau-d-arco-e-executado-a-tiros-no-para-afb2

Reforma Agrária é mais que Terra!

A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos participa do manifesto conjunto, 48 organizações sociais e sindicais e parlamentares do Distrito Federal (DF), pedindo hoje (13), que sejam adotadas medidas para reformulação do Programa de Assentamentos de Trabalhadores Rurais do DF, conhecido como “Prat”. As organizações apontam problemas históricos na execução do programa e demandam a criação e a consolidação de uma política local de reforma agrária pautada na perspectiva da justiça social e da agroecologia.

A iniciativa dos movimentos vem após a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovar, no final de 2020, projetos de autoria do governo de Ibaneis Rocha (MDB) que alteram trechos da Lei Distrital Nº 5803/2017, norma que criou a Política de Regularização de Terras Públicas Rurais pertencentes ao DF ou à Terracap, uma espécie de agência de terras ligada ao governo local.

Leia aqui a nota das organizações.