Caravana de Direitos Humanos fortalece luta por terra e justiça social no Amapá 

Caravana de Direitos Humanos fortalece luta por terra e justiça social no Amapá 

Em um esforço conjunto para combater a grilagem de terras e fortalecer a organização comunitária, a Caravana de Direitos Humanos do Amapá realizou uma série de atividades no dia 29 de março de 2026, na Comunidade Alta Floresta, em Cutias do Araguari, AP. A iniciativa, organizada pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) em parceria com a Comissão Pastoral da Terra/AP e outras organizações parceiras familiares e extrativistas da região, por meio do Projeto Defendendo Vidas, teve como objetivo principal somar forças à luta local contra a expansão do agronegócio e a violência no campo.

O encontro teve início com um café da manhã e uma mística que simbolizou o processo de resistência e comunhão entre as comunidades de Alta Floresta, Para Brilho e Capoeira dos Reis. O dia seguiu com um espaço dedicado à discussão sobre o panorama dos conflitos agrários e a situação jurídica dos territórios, além de um diálogo sobre a importância da organização comunitária.

Ainda durante a manhã e no início da tarde, foi realizada a oficina de proteção popular, onde os participantes puderam analisar os riscos, vulnerabilidades e potencialidades de suas comunidades, traçando estratégias de proteção coletiva. Paralelamente, as crianças das comunidades participaram de uma oficina de cartazes, reforçando a ideia de que a luta por direitos é intergeracional.

Já o restante da tarde foi marcado por uma roda de conversa sobre o protagonismo das mulheres na defesa da terra, abordando temas transversais de gênero. Este momento foi especialmente significativo, buscando dialogar com a luta das mulheres camponesas e dar visibilidade às suas experiências e desafios.

(Encerramento da Caravana de Direitos Humanos do Amapá)

Fortalecimento da Rede de Proteção e Visibilidade aos Conflitos

Além das atividades presenciais, a Caravana produziu um folder com relatos de cada comunidade, permitindo que seus históricos de resistência fossem documentados e compartilhados. A metodologia adotada aliou experiências de mobilização dialogadas com a comunidade aos fundamentos de proteção popular e análise de contexto e risco do projeto Defendendo Vidas.

Os resultados do encontro foram expressivos. Foi possível fortalecer a rede de proteção local, conectando moradores das três comunidades e capacitando-os com ferramentas de proteção popular. O momento também serviu para dar visibilidade aos conflitos, denunciando as ações de grileiros e empresas do agronegócio que impulsionam a violência e a negação de direitos na região.

Lideranças locais tiveram voz, como o Sr. Eraldo e o Sr. Wilson Brazão, da Associação de Moradores de Para Brilho, cuja família é um exemplo de resistência. A Sra. Ana Célia, irmã de Wilson, compartilhou sua história, denunciando a grilagem de terras em Capoeira dos Reis durante a roda de conversa sobre o protagonismo feminino.

Marilene, moradora de Para Brilho, resumiu a essência da luta: “Nossa luta é contra a grilagem de terras, a violência e a negação dos nossos direitos. Nossa maior força é a união entre as famílias, que não desistem, mesmo diante das ameaças.”

A Caravana de Direitos Humanos do Amapá reafirma o compromisso da SMDH e seus parceiros com a defesa dos direitos humanos, a proteção dos territórios e o fortalecimento das comunidades tradicionais. 

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