
Nos dias 5 e 6 de junho, Boa Vista (RR) sediou a Caravana de Direitos Humanos, uma iniciativa coletiva que reuniu organizações sociais, movimentos populares, jornalistas independentes e artistas locais. Promovida pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Comitê Xapiri, Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Levante Popular da Juventude, a caravana teve como objetivo central apresentar os programas de proteção, PROVITA E PEPDDH, como instrumentos para o enfrentamento da impunidade e das violações de direitos dos povos.
Durante dois dias de intensa programação no auditório do Leducarr, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), o encontro promoveu mesas de debate, rodas de conversa, escutas sensíveis e vivências com lideranças indígenas dos povos Yanomami, Makuxi, Yekuana e Wapixana. Também participaram camponeses e camponesas que enfrentam conflitos fundiários e ameaças em suas comunidades. A partilha de experiências reforçou a urgência de políticas efetivas de proteção às pessoas ameaçadas.
Dentro da pauta fundiária, houve o lançamento do Caderno de Conflitos no Campo da Comissão Pastoral da Terra, que trouxe dados atualizados sobre os conflitos agrários no Brasil e em Roraima, evidenciando o aumento da violência contra os povos do campo, das florestas e das águas.
Uma das atividades realizadas foi a mesa com representantes de programas de proteção — como o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM) e o Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita), possibilitando um debate direto sobre os desafios dos programas e as ameaças que os povos indígenas sofrem na região.

Outra importante atividade foi a mesa sobre pintura Corporal e ancestralidade Indígena, que aproximou os participantes das cosmovisões dos povos originários. Representantes indígenas apresentaram os significados espirituais, culturais e protetivos da pintura corporal, destacando o uso do jenipapo e do urucum como símbolos de conexão com o sagrado, expressão de identidade e forma de fortalecimento espiritual e coletivo.
“A caravana foi uma ação importante de articulação em rede, escuta e denúncia. Teve um caráter profundamente humano e político, reunindo diversas vozes em torno da luta por direitos e proteção dos territórios”, afirmou Paulo Moreira, técnico social da SMDH, que acompanhou toda a programação.
Além dos debates, a caravana também valorizou a música e a cultura local. A banda Kruviana, o cantor guianense Mike GuyBras e o grupo de Afoxé Filhas e Filhos de Iemanjá encantaram o público com apresentações musicais que celebraram as raízes afro-indígenas da região, encerrando os dias de atividades com arte e resistência.