No dia 23 de julho de 2026, aconteceu a Primeira Oficina Formativa de Educomunicação e Proteção Popular. Realizada em ambiente virtual, a formação reuniu defensoras e defensores de direitos humanos, integrantes das Organizações Regionais Territoriais (ORTs), organizações associadas e representantes de diversas iniciativas de todo o Brasil.
A atividade integra o Projeto Sementes de Proteção Popular de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, realizado pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), em parceria com a Avuar Social e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH Brasil), com apoio da União Europeia. A oficina faz parte do ciclo de formações voltado ao fortalecimento das capacidades de comunicação de lideranças e organizações que atuam na promoção e defesa dos direitos humanos.

Com mediação de Carla Renata Silva, a oficina partiu da compreensão de que a comunicação é um direito humano e uma estratégia fundamental de proteção popular. Ao longo do encontro, foi debatido como a disputa de narrativas influencia a defesa dos direitos humanos e como a comunicação pode fortalecer organizações, ampliar a incidência política e reduzir o isolamento de defensoras e defensores em seus territórios.
A programação articulou momentos de exposição dialogada e troca de experiências entre as pessoas participantes. Foram apresentados referenciais da educomunicação e da comunicação popular, com contribuições de Paulo Freire, Mario Kaplún e Ismar de Oliveira Soares, além de experiências práticas como a comunicação desenvolvida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela TV Quilombo, que demonstram como diferentes linguagens e tecnologias podem fortalecer processos de mobilização, resistência e proteção dos territórios.
As discussões também evidenciaram desafios enfrentados pelas organizações, como a baixa conectividade em diversas regiões, a necessidade de utilizar linguagens mais acessíveis aos diferentes públicos, a sustentabilidade das mídias independentes e a importância de integrar ferramentas tradicionais — como rádios comunitárias, teatro e comunicação oral — às tecnologias digitais. Participantes de diferentes estados compartilharam experiências locais, reafirmando que a comunicação popular deve partir das realidades dos territórios e fortalecer as redes de solidariedade e proteção.
Ao final da oficina, foi reforçado que a comunicação não se limita à produção de conteúdos para redes sociais, mas constitui um processo permanente de organização, formação política e construção coletiva de sentidos. As contribuições reunidas durante este primeiro encontro servirão de base para a construção das próximas oficinas do ciclo formativo, aprofundando temas identificados como prioritários pelos participantes.
O Projeto Sementes de Proteção Popular segue fortalecendo organizações, movimentos e redes que atuam na defesa dos direitos humanos, reconhecendo a comunicação como uma dimensão estratégica para a proteção popular, a promoção da democracia e a valorização das lutas desenvolvidas nos territórios.