O dia 12 de agosto é uma data em que se celebra o Dia Nacional dos Direitos Humanos e o Dia da Luta contra a Violência no Campo, no Brasil. A escolha da data não é aleatória; ela marca o assassinato de Margarida Maria Alves, uma líder sindical que se tornou um símbolo de resistência e luta por justiça social.

A data também é lembrada pela Marcha das Margaridas, uma das maiores mobilizações de mulheres trabalhadoras da América Latina. O evento acontece a cada quatro anos em Brasília, reunindo trabalhadoras rurais, das florestas e das águas para reivindicar políticas públicas, agroecologia, soberania alimentar e democracia. A marcha, que leva o nome de Margarida Alves, é uma prova de que sua memória continua viva e inspira a luta por um futuro mais justo.
Quem foi Margarida Alves?
Margarida Maria Alves foi uma figura fundamental no movimento sindical brasileiro, dedicando 12 anos de sua vida à presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba. Ela foi a primeira mulher a ocupar esse cargo, exercendo-o durante o período da ditadura militar.
Margarida foi uma voz incansável na defesa dos direitos dos trabalhadores do campo. Ela lutava por conquistas básicas como carteira de trabalho assinada, jornada de oito horas, férias e 13º salário para os camponeses. Sua atuação a tornou uma ameaça para os grandes proprietários de terras e usineiros da região, que viam nos seus esforços a perda de seus privilégios.

Ela também trabalhou ativamente contra a violência no campo e em prol da reforma agrária. Junto ao educador Paulo Freire, fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, reforçando seu compromisso com a educação e a conscientização dos trabalhadores.
Em 12 de agosto de 1983, a vida de Margarida foi brutalmente interrompida por um tiro de espingarda no rosto, na porta de sua casa, na frente de sua família. Meses antes de ser assassinada, ela proferiu a célebre frase: “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”, que se tornou um lema para a resistência no campo.
O Legado de Margarida: Lembrar é Resistir
A memória de Margarida Alves transcende sua história de vida e morte. Ela representa a força dos trabalhadores rurais e a luta para acabar com os assassinatos, ameaças e a criminalização dos defensores de direitos humanos. O assassinato de Margarida é um exemplo emblemático das constantes violações de direitos humanos no Brasil.

Em 2021, o caso de seu assassinato foi levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos, que responsabilizou o Estado brasileiro pela violação dos direitos à vida, à integridade pessoal e à justiça de Margarida e sua família. Sua história foi tão significativa que, em 2023, ela foi incluída no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, um reconhecimento de seu papel na história do país.
Lembrar Margarida Alves é, portanto, um ato de resistência. É manter viva a luta por justiça social, reforma agrária e dignidade para todos os trabalhadores rurais. É reconhecer que a violência no campo ainda persiste e que a defesa dos direitos humanos é uma batalha contínua que exige coragem, como a que Margarida demonstrou em vida.