
Nos dois primeiros dias da Semana de Imersão da Campanha Nacional Vamos mudar o Congresso: eleger um Congresso amigo do povo reuniram mais de 50 representantes de organizações, movimentos sociais e lideranças de diferentes regiões do país para refletir sobre representatividade política, participação popular e os desafios da democracia brasileira.
Promovida pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) e pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), a atividade teve início na segunda-feira (08) e contou com a participação de 54 integrantes da sociedade civil. Ao longo dos encontros, os participantes debateram o papel das Casas Legislativas, os impactos da atual composição do Congresso Nacional na vida da população brasileira e os caminhos para fortalecer a organização popular e a incidência política.
O papel das Casas Legislativas e a participação popular
No primeiro dia, a atividade foi mediada por Roseana Queiroz e contou com a exposição principal de Paulo César Carbonari, do MNDH, que trouxe uma análise sobre a crise da representatividade política, os desafios da participação popular e a necessidade de reconstruir a confiança da população nos processos democráticos.
Durante sua fala, Carbonari destacou que um dos principais problemas enfrentados atualmente é a crescente apatia política, alimentada pelo descrédito das instituições democráticas e pela valorização do individualismo em detrimento do bem comum.

“O poder não é transferido definitivamente aos representantes eleitos. Eles representam o povo, mas o poder continua emanando da população, que deve permanecer organizada e atuante no controle das decisões públicas”, afirmou.
O debate também abordou temas como a fragmentação das lutas sociais, a necessidade de fortalecer o trabalho de base nas comunidades, o combate à mercantilização do voto e a retomada de instrumentos de participação popular, como plebiscitos, referendos e iniciativas legislativas populares.
Participantes de diferentes estados compartilharam experiências e preocupações relacionadas à baixa participação política, à influência econômica nos processos eleitorais e aos desafios para ampliar a consciência cidadã, especialmente entre jovens e moradores das periferias.
Ao responder às intervenções, Carbonari ressaltou a importância de construir unidade entre as diversas pautas sociais e fortalecer um projeto coletivo capaz de representar a diversidade da sociedade brasileira.
O encontro também apresentou a metodologia que orienta a campanha, inspirada no pensamento de Paulo Freire: imersão, emersão e inserção. O objetivo é promover a compreensão da realidade, estimular a reflexão crítica e incentivar ações concretas de mobilização popular.
Impactos do atual Congresso para o Brasil
Já no segundo dia da programação, realizado na terça-feira (09), o debate teve como tema “Os impactos do atual Congresso para o Brasil”. A mediação foi conduzida por Carla Renata e contou com exposições de Renato Roseno e Marco Antônio Baratto, que analisaram o cenário político nacional, os desafios da democracia e as estratégias de mobilização popular diante da atual conjuntura.
Durante sua apresentação, Renato Roseno destacou que o país vive um contexto marcado pela crise estrutural do capitalismo, pelo avanço de discursos autoritários e pelo fortalecimento de setores conservadores no Congresso Nacional. Segundo ele, o Legislativo ampliou significativamente seu poder sobre o orçamento público nos últimos anos, alterando o equilíbrio entre os poderes e influenciando diretamente a capacidade de execução das políticas públicas.
Roseno também alertou para a necessidade de fortalecer a organização popular e preparar a disputa política dos próximos anos, defendendo que movimentos sociais e organizações da sociedade civil mantenham atuação permanente junto às comunidades e aos territórios.
Já Marco Antônio Baratto abordou os impactos das transformações econômicas e sociais sobre a classe trabalhadora, destacando o crescimento da influência de grupos econômicos organizados no Congresso. O expositor ressaltou a importância de qualificar o debate público, fortalecer a consciência política e construir novas formas de diálogo com a população, especialmente com jovens e moradores das periferias.

As intervenções dos participantes reforçaram preocupações relacionadas à comunicação com a base social, à desinformação, aos desafios da mobilização popular e à necessidade de ampliar os espaços de formação política. Ao final do encontro, foi destacada a importância da unidade entre movimentos e organizações para fortalecer um projeto democrático comprometido com a ampliação de direitos e a participação popular.
A Semana de Imersão segue até o dia 12 de junho, reunindo especialistas, lideranças e representantes da sociedade civil para aprofundar o debate sobre o Congresso Nacional e construir estratégias de incidência política voltadas ao fortalecimento da democracia e da participação popular.